Cinemateca Jr, comida e passeios em Lisboa

Cheguei na capital portuguesa após vários dias em Amsterdã e Madri, como a última parada do meu 2º giro pela Europa. Não sei por que durante a preparação, Lisboa foi justamente o lugar que menos me despertou interesse. Praticamente só marquei os pontos turísticos mais conhecidos, um ou outro restaurante e nada mais. Apesar das recomendações entusiasmadas de vários amigos, confesso que não estava levando a menor fé nesta etapa da viagem. Que engano!

Fiquei por lá durante 2 dias e meio, o que talvez fosse o suficiente para outra capitais menores, mas não para Lisboa. Sem dúvida nenhuma é um lugar para ficar pelo menos uns 5 dias e curtir com calma tudo que a cidade tem a oferecer. Além dos pontos turísticos espetaculares, se perder pelas ruas do centro histórico é uma atração a parte e passível de diversas descobertas que praticamente não constam nos guias turísticos. Sem falar na gastronomia que, diferente de Paris e outras capitais mais caras, pode ser apreciada plenamente por preços muito acessíveis.

Sobre esses assuntos (descobertas e gastronomia) que quero falar hoje. No meu último dia na cidade, não havia planejado nada de especial. Já tinha ido em todos os principais pontos como o Castelo de São Jorge, Padrão dos Descobrimentos, Mosteiros dos Jerônimos, Torre de Belém (e sua Pastelaria vizinha, é claro), Oceanário e o Estádio da Luz. Então preferi sair do albergue e passear sem rumo nas ruas do centro histórico. Desci a Avenida Liberdade e em menos de 10 minutos cheguei a Praça dos Restauradores, lugar que já havia passado diversas vezes mas nunca tinha olhado com a devida atenção, aonde encontrei minha primeira parada espontânea: a Cinemateca Júnior de Lisboa.

Funcionando dentro do Palácio Foz e administrada pela Cinemateca Portuguesa, esta versão “Júnior” conta com uma exposição permanente sobre o Pré-cinema e algumas sessões durante a semana. A exposição é pequena, mas uma preciosidade: exibe imagens, objetos e equipamentos dos primórdios do cinema, além de um Gremlim do clássico dos anos 80 na entrada (vai entender). Mas o mais impressionante são os “peep shows” e kinetoscópios, aquelas máquinas de moeda do início do século passado que exibiam pequenos filminhos e slide-shows, disponíveis para experimentar, todas funcionais e aparentemente bem antigas. Apesar de rápido e com design voltado para o público infanto-juvenil, a Cinemateca Júnior é um passeio delicioso, barato e para todas as idades.

Seguindo a caminhada, passei pelo Rossio, aonde tem um mercado Pingo Doce (tenho um fraco por mercados estrangeiros) e a Praça Dom Pedro IV, depois pelo Elevador de Santa Justa, até chegar na minha região favorita da cidade, próxima a estação Baixa-Chiado do metrô. Após alguns minutos de relutância, na tentativa de preservar minhas economias já tão avariadas naquele momento, fui parar na Fnac Chiado. E rapaz, Fnac é um lugar complicado, principalmente num país com tudo em português. Mas violências ao meu cartão a parte, o passeio seguiu pela deliciosa Rua Augusta e suas perpendiculares, quando decidi almoçar. Infelizmente não lembro o restaurante que eu fui, mas por ali não tem muito erro. A grande maioria são de altíssima qualidade, com o melhor da culinária portuguesa a preços muito acessíveis. Escolhi um mais vazio e charmosinho, fora das ruas principais, pra comer um Bacalhau com Natas. Resultado: pães, queijos, bebida, prato principal e gorjeta por 13,00 euros.

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Bacalhau com natas – Lisboa

Sai de lá rolando, em direção aos Arcos da Rua Augusta e a Praça do Comércio. Por ali tem muitas lojas, restaurantes e pequenas atrações para conferir como: Museu da Cerveja, Museu de Lisboa, Museu do Dinheiro, dentre outras. É uma região muito legal, principalmente para tirar fotos, que passei diversas vezes durante minha estadia. Dali fui andando pela Rua do Arsenal até dar de cara com o Mercado da Ribeira, um lugar mágico (leia-se: com mais comida).

O Mercado existe desde o século XIX, mas em 2014 recebeu uma gigantesca revitalização com curadoria da revista Time Out e passou a abrigar diversos mini-restaurantes numa espécie de grande praça de alimentação. Ali se encontra o melhor da culinária portuguesa e mundial, além de sorveterias e degustação de vinhos. Os preços me pareceram um pouco acima do restante da cidade, mas nada que ferisse muito o bolso. Como todo gordinho deve saber, quando o universo te presenteia com um mercado gastronômico numa viagem, mesmo que você tenha acabado de almoçar (como era meu caso), não há opção se não comer novamente. Minha recomendação fica para a Santini, sorveteria italiana com gelatos de deixar qualquer Freddo no chinelo.

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Após meu 3º gelato, voltei ao albergue pra pegar as malas e ir pro Aeroporto, já no clima de depressão pós-viagem. Enfim, fiz este post um pouquinho diferente pra poder falar brevemente sobre Lisboa, cidade que gostei muito, mas não se enquadra tanto nos assuntos do blog. Andar sem rumo em qualquer viagem é importante, mas Lisboa é um lugar especial pra isso. Não tenha medo de se perder por lá, prometo que não vai se arrepender.

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