Indo ao Japão: primeiros passos

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Kit de sobrevivência no Japão: tá, ok, não é bem disso que vou falar hoje. Chegaremos lá!

O Japão é um lugar muito amigável para turistas. Povo simpático, funcionários e prestadores de serviços muito solícitos e infraestrutura pública impecável. Mas obviamente existem alguns elementos complicadores, principalmente por conta da língua e algumas diferenças culturais.

Para começar, duas informações muito importantes: pouca gente fala inglês no Japão e quase não tem Wi-Fi gratuito. Não pense que vai chegar no “Hello, How much?” que não vai colar. A grande maioria da população não fala inglês, isso inclui restaurantes, lojas e mercados. E não contem com Wi-Fi liberado para recorrer ao Google Translator! Diferente de Nova York, por exemplo, aonde a cada esquina dá para achar uma Starbucks com aquela internet amiga, o Japão não tem tantos pontos de Wi-Fi assim.

Além disso, para piorar, o país tem um sistema de endereços muito diferente do nosso. A lógica lá não é “Nome da rua / número do prédio / número do apartamento”. As ruas não tem nomes (salvo grandes avenidas) e os números das casas não são consecutivos, com ímpar de um lado e par do outro. Muito resumidamente: o endereço de uma casa é representado por 3 números base (área – bloco – nº da construção), nome do bairro, cidade e província. Confuso? Muito! Inclusive para os próprios japoneses, segundo meus amigos que moram por lá.

Mas falo tudo isso não para desencorajar! Como disse, é um país muito amigável, com população super preparada para ajudar em caso de necessidade, além de ser lindo e cheio de coisas para fazer. Entretanto, acho muito saudável e recomendável se preparar e tomar alguns cuidados básicos para não passar perrengue e poder aproveitar ao máximo sua viagem ao Japão, que certamente será inesquecível.

1) VISTO

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Avião que me levou ao Japão: da maravilhosa Japan Airlines. Escolham sem medo!

Parece bobagem, mas lembrem-se que nós brasileiros precisamos de visto para entrar no Japão! Diferente dos Estados Unidos, o visto japonês é extremamente fácil, rápido e barato de se tirar. O único porém é que nem todos os estados possuem consulado japonês. Então dependendo de onde o turista morar, vai precisar se locomover para alguma cidade próxima. No meu caso, que sou do Rio de Janeiro, consegui tudo muito rapidamente. Dei entrada numa quinta-feira e na segunda seguinte já estava com meu passaporte em mãos.

O consulado pede diversos documentos (links informativos mais abaixo), incluindo um formulário de entrada e cronograma de viagem. Ambos podem ser impressos e preenchidos a mão. Sempre recomendo escrever o mais próximo da verdade possível, mas caso não tenha ainda um hotel ou passagem interna definida, não tem problema colocar um cronograma aproximado. Levem também foto 3×4 impressa e comprovante de renda (em caso de freelancers, eles aceitam nota fiscal de serviço como comprovante).

Dois pontos sobre o visto que são importantes observar: quando pedir e quantas entradas e saídas do país você fará. Explico o motivo: o visto japonês tem uma validade baixa, ou seja, o normal é ter que fazer um pedido a cada viagem, não dura 10 anos como o americano. Isso, inclusive, acarreta na necessidade de já ter passagem comprada na hora de ir ao consulado. O visto é emitido para o período que você for ficar no país. Além disso, observe quantas vezes você vai entrar e sair do Japão, por que isso altera o valor a ser pago. Por exemplo: se você chega no Aeroporto de Tóquio, mas vai para China ou Coréia e depois volta ao Japão, isso caracteriza duas (02) entradas no país. Logo, o valor e o próprio tipo do visto mudam. Portanto sempre descreva seu cronograma de forma o mais apurada possível no formulário!

Enfim, são alguns detalhes, mas o processo ainda é bem tranquilo. O importante é saber o tipo de visto que você precisa e qual consulado atende sua cidade. Vejam a seguir alguns links úteis: Embaixada do Japão no Brasil, endereços de representações do Japão no Brasil, Consulado no Rio de Janeiro e Consulado em São Paulo.

2) INTERNET

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Lanchinho e tablet com internet é kit básico para as viagens de trem!

Existem algumas opções para contornar a falta de internet gratuita. Já vi muita gente falando de uns aparelhos de Wi-Fi portáteis (como o Global Advance e o Japan Wireless), mas como não utilizei não posso opinar. Achei ambos caros para mim, que afinal estava viajando sozinho. O serviço que utilizei foi o SIM Card da B-Mobile, que oferece 3G e 4G ilimitado por 14 dias.

Meu celular nem tem 4G, mas só no 3G consegui acessar internet, Google Maps e Translator, Facebook e WhatsApp sempre que necessário. Até You Tube consegui usar! O sinal era ótimo, ficando constante até em lugares fechados ou em trens em movimento.

Pedi pela internet (não vendem com tanta antecedência, então acesse o site em torno de 12 dias antes da viagem para comprar) e mandei entregar na agência de correios do Aeroporto de Narita. Assim que saí do desembarque, consegui fazer a retirada mediante apresentação de um documento e do e-mail de confirmação impresso. Importante ressaltar que apesar de ser um SIM card, o serviço só dá acesso a internet! Não vale para ligação.

Este gasto com internet (2.380 ienes, algo em torno de R$ 78,00, pela quinzena) é primordial para conforto e praticidade na hora de procurar os seus lugares de interesse. Lembrem-se do que falei: os endereços seguem uma lógica diferente da nossa, então o Google Maps com GPS ligado vai ser seu melhor amigo! Compre sem medo! Clique a seguir no link para visitar o site oficial da empresa: B-Mobile – bmobile.ne.jp.

3) JAPAN RAIL PASS

A infraestrutura de transportes no Japão é exemplar. Os trens, metrôs e ônibus saem no horário, os atrasos são raros e tudo é muito bem cuidado. Infelizmente esta perfeição tem seu preço! Os transportes em áreas urbanas são até razoáveis, mas os trens intermunicipais, principalmente os de alta velocidade, são muito caros. Para driblar isso, o país tem um recurso voltado para os turistas chamado Japan Rail Pass.

Nada mais é que um passe de uso irrestrito de boa parte da malha ferroviária japonesa para períodos de 7, 14 ou 21 dias. Ele cobre todo o serviço da JR, a principal empresa de transportes japonesa, incluindo os shinkansens (trem-balas), trens regionais, linhas da JR do Metrô de Tóquio e o Narita Express (trem entre o Aeroporto e a cidade de Tóquio). Os preços atualmente custam: 7 dias – 29.110 ienes (R$ 1,037.07) / 14 dias – 46.390 ienes (R$ 1,652.68) / 21 dias – 59.350 (R$ 2,114.40). Só é importante ficar atento numa coisa: o Japão tem muitos serviços de trens e metrôs prestados por empresas diferentes (como os hiper-expressos Nozomi e Mizuho), o passe só cobre as linhas da JR Company. Mas independente disso e dos preços, que podem ter assustado de início, acreditem: vale muito a pena!

Como base de comparação, o preço de uma passagem avulsa entre Tóquio e Hiroshima é 11.660 ienes. Pense que só para ir e voltar, sem flexibilidade e sem poder parar no caminho, já se gastaria 23.320 ienes, quase o preço do passe de 7 dias. Inclua ai então paradas em Quioto, Nagoya, Osaka, além do próprio Narita Express (que custa 3.020 ienes), e não restam dúvidas do quanto compensa comprar o JR Pass.

Sendo um benefício exclusivo para turistas com visto temporário, o passe tem que ser comprado ainda no Brasil. Não é possível adquirir dentro do Japão! Várias empresas brasileiras e internacionais vendem. Eu comprei o meu com uma agência de viagens de São Paulo chamada Gema Turismo e não tive problema nenhum. Fiz o pagamento e recebi um voucher por correio para ser trocado pelo passe já no Japão. A troca deve ser feita em alguma das lojas de atendimentos da JR espalhadas por Tóquio (são várias, inclusive no próprio Aeroporto).

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Exemplo de ticket que é entregue no ato da reserva da passagem nas lojas das estações.

Com o passe em mãos, fica tudo bem simples. Para retirar suas passagens intermunicipais basta ir nos balcões de venda de passagem presentes na estação de partida, mostrar o passe e dizer o dia e horário que deseja ir (nesses balcões os atendentes entendem o básico de inglês, não se preocupem). Você vai receber um ticket com informações de partida, vagão e assento (imagem acima). Lembre-se sempre de cumprir o que está no bilhete! Os trens não se atrasam e todo mundo senta no lugar exato que comprou. Para quem estiver em Tóquio, o passe pode ser usado para andar nas linhas da JR do Metrô, incluindo a linha circular (Yamanote Line) que atende praticamente todas as principais áreas turísticas da cidade. No metrô é ainda mais simples o procedimento de entrada: mostre o seu passe para o atendente que fica nas catracas e pronto, ele libera sua passagem.

Enfim, recomendo imensamente a compra do JR Pass. A praticidade é enorme e a economia maior ainda. Só não deixe de ler os detalhes de como e quando usar. Abaixo, coloco alguns links e informações úteis.

Onde Comprar: Gema Turismo – railpassbrasil.com.br. Como disse são várias opções, usei a agência Gema Turismo e não me arrependi. Não deixem de ler as regras e quando/onde pode usar o passe!

Informações de horários e preços: HyperDia.com. Neste site você encontra todas as opções de trens e horários. É útil também para ver os preços unitários de cada passagem e calcular se o passe vale a pena ou não para o seu itinerário.

Site oficial do JR Pass: JapanRailPass.com. Informações oficiais, regras e lista com revendedores autorizados.

4) LÍNGUA JAPONESA

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Aprender um básico da língua local não é só polido, como no caso do Japão meio necessário. Algumas palavras do cotidiano como bom dia, boa tarde, com licença, desculpa, sim e não, são extremamente úteis. Existem vários guias online e impressos, coloco abaixo algumas recomendações que utilizei.

Guia Lonely Planet Japão (Globo Livros) – guia completo com dicas e roteiros para todas a regiões, além de explicar um pouco dos costumes locais e palavras básicas.

Guia de Conversação para Viagens de Japonês (PubliFolha) – guiazinho básico com frases e palavras úteis em diversas situações e locais diferentes.

25 frases úteis em japonês que você deve saber (canal Aqui Pode) – vídeo de um brasileiro que mora no Japão.

Aula de Japonês (canal Camila Pipoka) – vídeo de uma brasileira que mora no Japão, bem informal e descompromissado para aprender o básico.

Por enquanto é só, espero que ajude vocês. Se tiverem alguma dúvida comentem aqui em baixo que respondo com o maior prazer! Espero que sua viagem ao Japão seja inesquecível!

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