El Rey León em Madri

ERL Rafiki Gazelle

Rafiki em um dos momentos mais marcantes da peça. (Foto: Divulgação)

Se tem uma coisa que anda junta da minha nerdice é a paixão por musicais. Em parte pela minha profissão de produtor teatral, que me fez desenvolver um carinho natural pelo gênero. Mas em parte também pela linguagem cafona, fantasiosa e encantadora dos musicais. O Rei Leão é o exemplo máximo disso. Produto ícone deste estilo de teatro tão amado e tão particular.

Produzido originalmente em 1997, por uma desacreditada Julie Taymor, O Rei Leão se tornou em 2014 o musical mais lucrativo da história, ultrapassando até os surpreendentes números de O Fantasma da Ópera (em cartaz desde 1986). Já passou pelo Brasil em 2013/2014, numa excelente e bem-sucedida montagem, e atualmente conta com sete produções em cartaz ao redor do mundo: Alemanha, China, Espanha, Japão, México e, claro, as duas principais, Broadway e West End.

O Rei Leão, assim como todas as obras da Disney Theatrical Productions, é uma produção vendida no formato de franquia. Sistema diferente do que é feito por diretores brasileiros como Charles Möeller, Claudio Botelho ou Miguel Falabella, que de uma forma em geral compram direitos de música e texto, podendo adaptar e fazer as mudanças que desejarem. O que isso significa na prática: todas as montagens oficiais de O Rei Leão no mundo são diretamente supervisionadas e dirigidas por profissionais da Disney, de forma que se mantém a qualidade, espírito e até marcações da original. Ou seja, são montagens praticamente idênticas as da Broadway, sofrendo apenas pequenas alterações para se adequarem aos tamanhos dos teatros e línguas locais.

E se tem uma coisa que me fascina nos musicais, ainda mais do que a própria Broadway, é a capacidade de uma obra viajar o mundo contando sua história, mantendo a qualidade e profissionalismo (sou produtor afinal de contas). Claro que amo o teatro nova iorquino, mas confesso que tenho um fraco por assistir mega espetáculos fora dos seus grandes centros. Por isso, quando estive em Madri fui correndo atrás da montagem local, batizada de El Rey León.

A produção está em cartaz na capital espanhola desde 2011 no belíssimo Teatro Lope de Vega e não tem previsão de acabar. Os ingressos podem ser comprados facilmente pela internet, o que é recomendável para quem estiver interessado, visto que raramente sobram muitas opções boas para os dias das apresentações. Custam entre 24 e 120 euros, sendo o valor mais barato referente aos lugares lá no teto do teatro (famoso “atrás da pilastra”) e o mais caro aqueles com visão frontal e super bem localizados. O meu foi um de 49 euros (54 com as taxas), lá no balcão 37, mas pelo menos não era “visão parcial” nem nada. Como já tinha assistido duas vezes no Brasil, não me incomodou. Um detalhe que em Madri o programinha é cobrado. Ok, foi 1 euro. Mas se até em São Paulo era gratuito, fiquei um pouco surpreso.

O espetáculo em si não tenho nem palavras para descrever. Assim como no Brasil, a produção espanhola mantém toda a magia e encantamento da peça original, com ótimos atores, tecnologia cênica de primeira e versões muito agradáveis aos ouvidos. Aliás, não consigo deixar de sentir que O Rei Leão soa muito melhor em línguas latinas do que em inglês. Claro que as letras do Tim Rice são lindas, mas os gritos africanos, o ritmo da peça, ou algo que eu não consigo identificar, de alguma forma faz as canções ganharem muita força em espanhol ou português. É quase como se no Brasil e na Espanha O Rei Leão se sentisse mais em casa do que em outros lugares. Enfim, difícil de explicar, é só uma sensação minha.

Mas retomando, esta peça é mais do que uma obra de arte hoje em dia. Já virou um ponto turístico, um fenômeno de massas até mesmo dentro de um gênero já tão popular como o teatro musical. Independente de onde esteja, vale a pena ser assistido e reassistido. Então já que a produção brasileira infelizmente se foi, não deixem de conferir El Rey León se estiverem por Madri. Vale cada centavo! Até hoje, só de lembrar da cena da aparição do rosto do Mufasa, os pelinhos se arrepiam.

E não deixem de comprar uma camisa do Simba. Ah se arrependimento matasse…

Mais informações:

El Rey León

Teatro Lope de Vega – Gran Vía, 57, 28013 Madrid

Como chegar: próximo ao metrô Santo Domingo (linha 2).

Horários: De terça a domingo, em vários horários. Sessões duplas sextas e sábados.

Ingressos: www.elreyleon.es

 

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