Red Light District: descobrindo a região

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Única foto possível, um pouco mais pros lados e as trabalhadoras já reclamam.

Outro dia conversava com uns amigos sobre lugares tolerantes e de grande aceitação entre a população. Sabe tudo aquilo que o Brasil não é? Pensei na hora em Amsterdã, em especial a  ̶p̶u̶t̶a̶ área em pleno centro da cidade chamada Red Light District.

Convenhamos que o apelo da região é mais do que óbvio para qualquer ser humano heterossexual do sexo masculino. Mas curiosamente, após  ̶a̶ ̶e̶u̶f̶o̶r̶i̶a̶ o choque inicial, o bairro vai se mostrando um lugar fascinante. Socialmente fascinante, eu diria.

Estava andando por lá em torno das 18:00, após umas 2 horas de caminhada, e neste momento a surpresa já tinha se dissipado (um pouco). Naquela hora as ruas já estavam cheias, então comecei a notar mais as pessoas ao meu redor e fiquei muito impressionado. Muitos turistas, mas também muitos locais caminhando, fazendo compras, andando com o cachorro, passeando com crianças, como se fosse um outro lugar qualquer.

Em certo momento, um casal com uma menininha parou para conversar na beira de um dos canais que cortam a cidade. Na frente deles tinha uma das várias janelas com uma prostituta se exibindo e tentando pescar alguns homens. Quando ela viu a menininha, começou a fazer careta para ela, que logo achou graça e devolveu o gesto. Os pais perceberem a interação, mas nada fizeram, apenas riram e continuaram a conversar. Alguns segundos depois, na hora de ir embora, acenaram dando tchau para a moça por trás da janela, que retribuiu o aceno, e foram embora com a filha.

Continuei caminhando, até que em certa hora fui parar em uma rua particularmente lotada de janelas com senhoras trabalhadoras. Na verdade rua é bondade minha, era um beco mal iluminado e super estreito. Daquele tipo que em qualquer outra parte do mundo seria o lugar perfeito para tomar uma facada e perder sua carteira (mas divago). O curioso foi notar que além das janelas, de repente vi um café super charmoso e mais a frente uma sala que parecia um escritório moderninho cheio de gente trabalhando. Ao mesmo tempo, estava escutando fazia já uns 5 minutos um barulho de multidão que não conseguia identificar.

Quando saí do outro lado do beco, não consegui deixar de rir. Ali estava a origem do barulho. Uma igreja gigante, que acabava de encerrar uma missa ou algum evento importante. Depois fui descobrir que não só é uma igreja muito bonita, como é a construção mais antiga da cidade, com mais de 800 anos. E lá estava ela, no meio do bairro de prostitutas mais famoso do mundo. Próxima também do Bulldog, um dos “coffee shops” (insira piscadinha aqui) e albergues mais tradicionais de Amsterdã, fonte de alegria, experiências e esquecimentos de muitos turistas e locais.

Enfim, o Red Light District, pelo menos este da região de De Wallen, lugar que eu esperava ser mal visto, sujo e marginalizado, se mostrou ser justamente o contrário. Foi um dos pontos mais bem cuidados, tolerantes, plurais e acolhedores que passei em toda minha viagem. Cada um vivendo sua vida, com cordialidade e sem julgar os interesses ou trabalhos dos outros. Vai ver o segredo de uma sociedade funcional é todo esse: tolerância. Quem sabe um dia a gente chega lá!

Ah sim! Você que cogita passear por lá algum dia, pode estar se perguntando: mas será que tem mais coisa lá além de prostitutas, igrejas, canais, cachorros e crianças fofas? Sim, não se preocupe. No Red Light do De Wallen também tem loja de quadrinhos, restaurantes ótimos, lanchonetes, museus, lojas de discos e até fliperama. Essa é Amsterdã!

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